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  • Felipe Cavalcante

O papel do prazer e do propósito na felicidade

Eu nunca entendi a busca desenfreada das pessoas por prazer como forma de obter a felicidade. Eu sempre achei isso algo vazio de propósito. Sempre via isso acontecendo com quem passava muito tempo se esbaldando em festas e farras.


Eu também não conseguia entender as pessoas que ficavam o tempo todo na frente da TV, passando o tempo, relaxando, fugindo do mundo real.


Para mim as coisas deveriam ter um sentido, algo que me completasse, me fizesse crescer, aprender ou que servisse a um propósito maior. Ou seja, eu sempre fui um grande chato, sem muita propensão para o lazer e o descanso.


Nos feriados, sempre fico facilmente entediado, procurando coisas para fazer. Simplesmente não consigo ficar assistindo TV ou séries o dia todo. Isso não combina comigo.


Por outro lado, também não sou afeito a festas e bebidas. Estou há dezesseis meses sem beber bebida alcoólica, pois sempre que bebo algo a ressaca é violenta e quase sempre fico doente. Portanto, não vale à pena para mim.


Resumindo, eu sou o que a ciência chama de Motor de propósito, alguém que obtém mais felicidade e satisfação com a vida através de momentos e experiências direcionadas ao sentido e ao propósito.


A antítese do Motor de propósito é a Máquina de prazer, uma pessoa que se realiza com momentos de prazer, contentamento e hedonistas. Conhecemos muitas pessoas assim, não é?


Apesar de existirem pessoas nos extremos, os Motores de propósito e Máquinas de prazer, a grande maioria fica no meio termo, com vidas mais equilibradas. E de certa maneira, um conselho sensato, que eu dou, mas não sigo, é o de pessoas que têm uma vida mais baseada em prazer procurar mais propósito e vice-versa. Sem sombra de dúvida é um caso claro onde o equilíbrio vai fazer muito bem.


É dessa combinação de prazer e propósito que vem a felicidade. Cada pessoa tem um equilíbrio distinto, peculiar, mas o princípio por trás disso tudo é que a fórmula da felicidade é encontrar prazer e propósito na vida cotidiana.


Precisamos entender o que nos motiva, do que mais gostamos, se somos mais inspirados pelo prazer ou pelo propósito e organizar nossas vidas em função de nossos interesses e inclinações.


Cada pessoa é feliz ou triste à sua maneira, pois as suas características, interesses e maneiras de encontrar equilíbrio entre o prazer e o propósito são específicas. Esse equilíbrio, inclusive, não é estável, pois varia muito em momentos distintos. Assim, cada pessoa deve procurar o que funciona melhor para ela e esquecer um pouco das fórmulas mágicas de autoajuda.


Também é importante entender que existem atividades que podem ser ao mesmo tempo prazerosas e repletas de propósito. No meu caso, a leitura e o estudo que depois se transformam nesses textos, por exemplo. Outras pessoas podem encontrar isso na música, na jardinagem ou no esporte. Com o passar do tempo, a maioria das atividades nas quais persistimos e que se tornam hábitos acabam fornecendo tanto prazer como propósito, mesmo que no início fossem motivadas por apenas um deles. Quando isso acontecer, você certamente terá uma grande fonte de felicidade em sua vida. Aproveite-a.

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